sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

DOS MEUS DIAS E DOS NOSSOS.




As vozes que me carregam na distancia profusa de mim mesmo equaciona a sombra que me conforta em meio a fumaça do dia veloz, das pessoas violentas e dos olhos disformes que não sabem saber. E ao que não fora feito. Perdão?

“Senti-me pronto a reviver tudo. Como se aquela cólera me tivesse purgado do mal, esvaziado de esperança, diante daquela noite carregada de signos e estrelas, eu me abria pela primeira vez à terna indiferença do mundo” (CAMUS, 1977,p.122)

Do então parei ante o perigo do assombro e curvei-me a mais simples agrura, fiquei circunspecto nos desatinos, nos risos astutos, nos semblantes perversos que me distraem de mim, do que tenho e sinto. Se por descuido esqueço a palavra, algo de errado há com o que construo e do que me desfiz para construir.
“Percebi quando titubeou minha grandeza,
E vi o eterno Lacaio a reprimir o riso, tendo nas mãos meu sobretudo.Enfim, tive medo”. (T.S. Eliot)

Mesmo assim avancei ausente aos cuidados, não havia razões – havia, mas eu não os sabia – a sentinela aproveitou-me na hora exata da alegria, da indiferença que a fiz perceber-me e agora vacilante admito-me vencido. Trago nas mãos algumas notícias, lidas de forma inversa terão a ordem precisa da desordem completa.

Cesz

SEM CRUZES NEM CREDOS!

Onde começa a igreja e termina a piada? Melhor, a política?
Já nem sabemos ao certo. A igreja fala o político replica, a igreja se levanta o político esbraveja. E Deus fica aonde? Eu sei, mas prefiro não contar. A legitimidade religiosa não pode se valer da “atuação” política na sociedade, no entanto, sei que não há religião sem que ela mesma seja por definição: ato político. Agora, fazer de bispos mentores políticos é subverter a sociedade a uma atmosfera confusa e moralista, pois nenhuma religião está completamente capacitada a entender, resolver ou mesmo propor ações de interesses horizontais. Irão apenas onde cabe o próprio julgamento das coisas, perdem-se em parâmetros de alcance moral, falta-lhes o intento Civil. Diante disto assistimos o seguinte: evangélico irritado com o negro do candomblé, católicos de muxoxo com evangélicos, negros pedindo espaço, católicos apelando, evangélicos lambuzando-se. Nós ficamos assistindo sem saber opinar ao certo, qual Deus? Quem Diabos? Ora, sou ateu! Tenho que me limitar a pensar.    

Cesz.